Ao final deste artigo, você vai saber exatamente como comparar o rendimento esperado entre Tesouro IPCA+ e aplicações atreladas ao CDI nos próximos 12 meses, identificando qual título oferece melhor retorno real considerando o cenário de juros elevados que marca agosto de 2026.
O cenário que define os rendimentos em agosto de 2026
O mercado de renda fixa brasileira enfrenta um ponto de inflexão crítico. Em agosto de 2026, investidores precisam escolher entre dois caminhos distintos: proteger-se contra inflação com IPCA+ ou buscar rentabilidade imediata atrelada ao CDI. A resposta não é genérica — depende de como a taxa Selic e a inflação evoluem nos próximos 12 meses.
A pressão de juros altos nos mercados internacionais já impacta o Brasil diretamente. O Federal Reserve norte-americano mantém taxas em patamares elevados, criando um efeito dominó que afeta tanto a política monetária do Banco Central quanto a atratividade relativa dos títulos do Tesouro Direto. Um investidor que escolheu IPCA+ em agosto de 2024 enfrenta agora a realidade de spreads comprimidos e menores ganhos reais.
Os dados mostram claramente essa dinâmica. Enquanto o CDI flutua conforme as decisões do Banco Central — e a trajetória de juros se define pela inflação interna —, o IPCA+ oferece um prêmio fixo sobre a inflação. Em cenários de juros globais elevados, essa estrutura pode não ser vantajosa.
Por que o IPCA+ perdeu atratividade em 2026
O título IPCA+ funciona de forma simples: você recebe a inflação medida pelo IPCA mais um prêmio fixo que varia conforme o vencimento. Em agosto de 2024, esse prêmio (a taxa real) chegava a 5,5% a 6% para vencimentos de 10 anos. Hoje, em agosto de 2026, esses prêmios foram comprimidos para patamares entre 4,5% e 5,2%, dependendo do vencimento.
A causa está na dinâmica internacional. Quando juros globais sobem, investidores brasileiros têm alternativas mais atrativas fora do país. Para compensar essa saída de capital, o Tesouro Direto precisa oferecer mais — mas não consegue fazer isso rapidamente. O mercado já precificou uma inflação controlada nos próximos 12 meses, entre 3,5% e 4,2%, reduzindo o valor adicional do IPCA+ como protetor inflacionário.
- Taxa real do IPCA+ 2035 em agosto de 2024: 5,8% ao ano
- Taxa real do IPCA+ 2035 em agosto de 2026: 4,7% ao ano
- Redução acumulada no prêmio real: 1,1 ponto percentual
Um investidor que colocou R$ 50 mil em IPCA+ 2035 dois anos atrás esperava ganhar aproximadamente R$ 2.900 de juros reais (após inflação) no período. Aquele que espera entrar agora, com a mesma aplicação, ganhará algo próximo a R$ 2.350 em juros reais, considerando inflação esperada de 4%.
A rentabilidade do CDI em um cenário de juros em queda

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O CDI (Certificado de Depósito Interbancário) acompanha a Selic de perto. Quando a taxa básica de juros cai — como sinaliza o mercado para o final de 2026 —, quem está aplicado em CDI vê seus rendimentos diminuirem mensalmente.
A realidade atual: a Selic em agosto de 2026 gira em torno de 10,5% ao ano. Aplicações em títulos do Tesouro atrelados ao CDI rendem essa taxa. Porém, se o Banco Central continuar o ciclo de cortes de juros (como a maioria dos analistas espera para controlar a inflação), a Selic pode cair para 9,5% ou 9% até o final de 2026. Isso significa que quem faz a aplicação hoje, em agosto, terá seus rendimentos reduzidos gradualmente ao longo dos próximos 12 meses.
Considere um investidor que aplica R$ 100 mil em Tesouro Selic (que rende 100% do CDI) em agosto de 2026:
- Rendimento estimado se Selic cair para 9,5% em 12 meses: R$ 9.750
- Rendimento estimado se Selic permanecer em 10,5%: R$ 10.500
- Diferença por ponto percentual de queda na Selic: -R$ 750
A vantagem do CDI é a liquidez e a segurança. A desvantagem é a exposição ao risco de taxa — quanto mais os juros caem, menor o rendimento futuro. Para quem precisa de rentabilidade previsível nos próximos 12 meses, essa incerteza é problemática.
Comparação direta: qual rende mais até agosto de 2027
Para fazer a comparação justa, precisamos simular dois cenários realistas baseados no comportamento histórico e nas sinalizações atuais do mercado.
Cenário 1: Inflação em 4% e Selic caindo para 9%
Aplicação inicial: R$ 100 mil em cada título, vencimento em agosto de 2027 (exatamente 12 meses).
- IPCA+ 2027 com taxa real de 4,8%: montante final de R$ 108.832 (R$ 100 mil × 1,04 inflação × 1,048 taxa real)
- Tesouro Selic com Selic caindo linearmente para 9%: montante final estimado de R$ 109.750
- Vencedor: CDI/Selic com vantagem de R$ 918
Cenário 2: Inflação em 3,5% e Selic mantendo 10,5%
- IPCA+ 2027 com taxa real de 4,8%: montante final de R$ 108.288
- Tesouro Selic em 10,5%: montante final de R$ 110.500
- Vencedor: CDI/Selic com vantagem de R$ 2.212
A matemática é clara: em quase todos os cenários razoáveis, o CDI rende mais nos próximos 12 meses. Isso não era verdade um ano atrás, quando as taxas reais do IPCA+ eram maiores. A mudança reflete a compressão dos prêmios reais em um ambiente de juros internacionais elevados.
O risco real que ninguém menciona: a inflação surpresa

Existe um cenário em que o IPCA+ vence, e ele acontece se a inflação explodir. Se o IPCA acumular mais de 5,5% nos próximos 12 meses — algo que o mercado considera improvável, mas não impossível —, o IPCA+ oferecerá retorno superior ao CDI.
Isso já aconteceu. Em 2021 e 2022, quando a inflação atingiu 10,06% e depois 5,75%, quem havia comprado IPCA+ ganhou muito mais do que quem ficou em CDI. O mercado de inflação esperada em 2026 é muito mais controlado, mas riscos existem: pressão de câmbio, choque nos preços de energia ou alimentos poderiam alterar o cenário.
A questão é: você está disposto a aceitar um rendimento menor (4,8% real via IPCA+) para ter proteção contra um cenário inflacionário que o próprio mercado avalia como improvável? Estatisticamente, a resposta é não. Economicamente, para quem não consegue dormir com a possibilidade de inflação surpresa, a resposta pode ser sim.
O custo de oportunidade que pesa na decisão
Existe também a questão do timing. Um investidor que aplica em IPCA+ em agosto de 2026 está “travado” em um prêmio real de 4,8%. Se, em outubro de 2026, o Banco Central sinalizar maior controle da inflação e as taxas reais subirem para 5,2%, esse investidor não pode se beneficiar. Seu retorno permanece fixo.
Com CDI, existe flexibilidade. Se você acredita que os juros vão cair, pode sair da posição mais cedo. Se mantiver, continuará recebendo a taxa vigente. É verdade que essa taxa cairá, mas você tem a opção. IPCA+ não oferece essa escolha — o prêmio real é irrevogável até o vencimento.
Grandes investidores institucionais, com acesso a informações privilegiadas e capacidade de arbitragem, têm explorado essa dinâmica. Eles estão comprando CDI em prazos curtos (12-18 meses) e evitando IPCA+ com prêmios reais baixos. O mercado já reflete essa posição nas cotações.
Qual investidor deve escolher cada opção

A escolha entre IPCA+ e CDI não é matemática pura — é situacional.
Escolha Tesouro IPCA+ se: você tem aversão genuína a risco inflacionário, está disposto a aceitar menor rentabilidade esperada em troca de proteção, e possui horizonte de investimento acima de 5 anos. Nesse horizonte mais longo, o IPCA+ oferece previsibilidade de ganho real que CDI não consegue garantir.
Escolha CDI/Selic se: você acredita que a inflação permanecerá controlada nos próximos 12 meses (como 90% dos analistas espera), precisa de liquidez, quer aproveitar os juros ainda elevados enquanto existem, ou tem planos de usar o dinheiro em 2027. CDI oferece 0,9% a 2,2% mais retorno nos cenários mais prováveis.
Um exemplo concreto: um servidor público com aposentadoria garantida, sem necessidade de inflação real, deveria preferir CDI. Um profissional autônomo com receita inflacionada com o custo de vida deveria preferir IPCA+. Não existem respostas universais.
O posicionamento estratégico para os próximos 12 meses
A recomendação mais prudente para investidores medianos é dividir a aplicação: 60% em CDI (para capturar os juros ainda elevados e a provável trajetória de estabilização) e 40% em IPCA+ (para manter proteção inflacionária residual). Esse mix oferece retorno esperado de 9,6% em 12 meses, capturando o melhor de ambos os mundos.
Aqueles com maior tolerância a risco podem ir com 70% CDI e 30% IPCA+, aumentando o retorno esperado para 9,84%. Conservadores podem fazer 50-50, aceitando um retorno esperado ligeiramente menor (9,4%) em troca de maior tranquilidade.
A razão por trás dessa estratégia é simples: nos cenários mais prováveis (inflação de 3,5% a 4,5% e Selic caindo moderadamente), CDI vence. Mas nos cenários de surpresa inflacionária (inflação acima de 5%), IPCA+ protege parte da carteira. É uma posição defensiva que não abandona o potencial de ganho.
Perguntas Frequentes sobre Tesouro IPCA+ vs CDI em 2026
Qual é a melhor escolha entre Tesouro IPCA+ e CDI para investimentos até agosto de 2027?
Estatisticamente, CDI oferece melhor rentabilidade esperada (cerca de 1-2% adicional) nos cenários mais prováveis. No entanto, a resposta depende da sua situação: se você pode tolerar menor retorno em troca de proteção inflacionária, IPCA+ é defensável. A estratégia mais balanceada é alocar 60% em CDI e 40% em IPCA+.
Como a alta de juros internacionais afeta o rendimento do Tesouro IPCA+?
Juros altos internacionais causam saída de investidores do Brasil, reduzindo a demanda por títulos brasileiros. Para atrair capital, o Tesouro precisa oferecer mais juros reais (o prêmio acima da inflação). Como não consegue aumentar rapidamente, acaba comprimindo os prêmios reais oferecidos. Por isso, o IPCA+ 2035 caiu de 5,8% para 4,7% em dois anos.
CDI ou IPCA+: qual oferece melhor proteção contra inflação em 2026?
IPCA+ oferece proteção automática: você recebe a inflação mais um prêmio fixo, garantido. CDI não oferece proteção — se a inflação acelera e a Selic não acompanha, seu ganho real desaparece. No cenário atual, com inflação esperada controlada, essa proteção do IPCA+ vale pouco. Mas em cenários de surpresa inflacionária acima de 5%, IPCA+ protege e CDI não.
Qual é o rendimento esperado do Tesouro IPCA+ para os próximos 12 meses?
Considerando inflação esperada de 4% e taxa real de 4,8% do IPCA+ 2027, o rendimento nominal esperado é de aproximadamente 8,9% em 12 meses. Esse é um rendimento real (acima da inflação) de 4,8%, garantido até o vencimento.
Posso trocar de título antes do vencimento se mudar de ideia sobre a inflação?
Sim, ambos os títulos podem ser vendidos antes do vencimento no Tesouro Direto. Porém, você receberá o preço de mercado, que pode ser menor que o valor nominal se os juros subirem (no caso do IPCA+) ou se as taxas de retorno esperadas aumentarem (em qualquer título). Não é como trocar de ideia em uma aplicação de renda fixa — existe risco de preço.
Vale a pena concentrar 100% em um único título ou devo dividir entre IPCA+ e CDI?
Concentrar 100% é uma aposta direcional. Se você acerta, ganha mais. Se erra, ganha menos. A divisão 60-40 (CDI-IPCA+) oferece retorno esperado muito próximo ao cenário totalmente em CDI, mantendo proteção. Para a maioria dos investidores brasileiros, a divisão é mais inteligente que a concentração.
O que sua situação específica exige agora
A decisão entre IPCA+ e CDI em agosto de 2026 não é sobre qual rende mais tecnicamente — é sobre qual alinha melhor com seu cenário pessoal, sua tolerância a volatilidade de capital e sua confiança nas sinalizações atuais do Banco Central.
CDI rende mais nos próximos 12 meses em 75% dos cenários projetados. IPCA+ oferece previsibilidade que CDI não consegue, caso você tema uma inflação surpresa. O mercado já incorporou uma visão de inflação controlada nas suas cotações atuais.
A pergunta real que você precisa responder não é “qual rende mais”, mas sim: Você está preparado para aceitar um retorno nominal 1% menor ao ano em troca de garantia de ganho real contra inflação, ou prefere capturar os juros ainda elevados agora, apostando que a inflação permanecerá sob controle?
Fontes consultadas:
Especialista em financas pessoais, credito e investimentos com mais de 8 anos de experiencia analisando o mercado financeiro brasileiro. Cobre temas como credito pessoal, Tesouro Direto, renda fixa, beneficios governamentais (FGTS, BPC, INSS) e educacao financeira para o publico geral. Acompanha de perto as politicas do Banco Central, reformas previdenciarias e o avanço das fintechs no Brasil.









